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22/12/2008
Os 10 melhores de 2008
Sem enrolação, abaixo os melhores discos brasileiros de 2008 escolhidos pelos editores do Banana Mecânica.


10
Cérebro Eletrônico
Pareço Moderno [Phonobase Music Services]

Nada melhor que a sinceridade. Pareço Moderno, com suas melodias fáceis e lindas, de catarse e êxtase certo, brinca com a onda inegável de exaltar o passado que faz de tudo o que é novo nada mais do que uma mistura de elementos, acrescentando uma profundidade crítica e lírica ao mesmo tempo. Tendo Tatá Aeroplano nos vocais entre outros Jumbo Elektros, o segundo disco da banda conta com a safadeza delicada de , as lágrimas de Sérgio Sampaio Volta e o carnaval de Vamos Cair Na Orgia temperado o caldo charmoso da banda.



Agatha Barbosa
agatha @ bananamecanica.com.br


9
Rafael Castro

Amor, Amor, Amor [independente]

Rafael Castro é deveras um músico independente. Assim como em seus cinco discos precedentes, gravou "Amor, amor, amor" todo em casa (em Lençóis Paulista), lo-fi, sem estúdio ou sequer programas profissionais. Carregado de sarcasmo, como não se vê desde Juca Chaves ou da parceria entre Jards Macalé e Jorge Mautner, apresenta serenatas grudentas, cujas letras destacam-no, junto a Os Monumentais, como um dos melhores conjuntos musicais e humoristas do ano.



Stephanie Fernandes
celophanie @ gmail.com


8
Turbo Trio

Baile Bass [YB]

Quando B Negão conseguiu finalmente concretizar o projeto Turbo Trio com Alexandre Basa e Tejo – que já vinha sido pensado lá no comecinho dos anos 2000 – ficou aquela dúvida: será que um grupo tocando Miami Bass ainda empolgaria?
Bastou o primeiro single, Terremoto, para mostrar que o trio não estava de brincadeira. Música eletrônica de primeira, sem cair nos clichês do funk carioca, e com a malemolência de quem foi vocalista do lendário Funk Fuckers.
T3 Make Move Ya Body, Balança, Ela Tá na Festa mostram que B Negão segue como o ex-Planet Hemp com a carreira mais criativa, tendo feito uma aposta certeira em se unir com dois dos melhores produtores de sua geração em um disco imperdível.



Thiago Kazu
kazu @ bananamecanica.com.br

N.E.: Apesar de um link confiável para download de Baile Bass ter aparecido no orkut no final de 2007, a data oficial de lançamento pela YB é 2008.


7
Momo

Buscador [Dubas Música/Trama Virtual]

Calçando solas de paralelepípedo à beira do precipício, alguém segura uma flor – Preciso Ser Pedra, faixa de abertura deste Buscador, constrói uma sonoridade próxima a essa imagem, um esforço de delicadeza sobre densidades quase sufocantes. Cordas e teclas no mais das vezes líricas convivem/contrastam com timbres crus de bateria marcial; temáticas dolorosas dividem seu espaço com a visão de uma nuvem negra que se vai e um sol que nascerá. Não há nunca uma redenção completa, nem jamais um lamento inconsolável. É um disco equilibrado sobre bonitas precariedades – paradoxal, então, como os sambistas cantando dores em cima da alegria dos pandeiros. A resenha do Banana Mecânica entrega: Buscador pode bem ser a tradução em som da dor de se deixar algo pra trás, mesmo quando o porvir é sabidamente mais feliz.




Diego Franco
diegortv @ gmail.com


6
Sopa

Sopa [independente]

Frescor. É o que vem imediatamente à cabeça ao ouvir este disco de tímido lançamento. É mais rock ou mais marchinha de carnaval? Não se importe; o Sopa é daquelas bandas (das quais esta lista está cheia) que se vestem de Brasil tradicional sem medo de experimentar com o novo e flertar com o esquisito. Imagine essa salada sobre um substrato feito para divertir, caloroso e psicodélico. Tipo se os Man Man tivessem nascido em Salvador, loucos pra experimentar, mas com aquela preguiça gostosa que faz se ater ao que já se ouve desde criança.

O Teatro Mágico deveria ouvir.


Luis Fernando Santos
luis @ bananamecanica.com.br



5
Seychelles

Nananenen [Mondo 77]

Psicodelia dentre os mais frios prédios e mecânicos relógios de São Paulo soa como Seychelles. Nananenem é o retrato dessa contemporaneidade que afeta a música com tamanha pluralidade com caos e simbiose postas em partitura. Rock que soma: punk, jazz, mpb e música eletrônica em menos caos do que parece, pelo menos pra gente que já se acostumou com essa metrópole (e com essa estética, já onipresente). Das beiradas (Punk Modinha) ao mais profundo mergulho (No Caminho de Shangri-la) as faixas falam da rotina de um paulistano que "todo dia assassina a razão", expressando, por tabela, sentimentos de urbanóides de diversas origens.



4
Iara Renno

Macunaima Opera Tupi [Selo SESC]

Com uma lista monstruosa de participações especiais e parcerias, esse disco que tem como tema o grande definidor do espírito brasileiro, Macunaíma, é daquelas que se sobressai pela coragem. É daqueles brasileiros que se veste de MPB sem medo, mas sai xavecando, com menos pudor ainda, de efeitos eletrônicos e trip hop à dub. E sem repetir (ou repetindo pouco, só o suficiente pra nao andar exageradamente na corda bamba do inovador) conversas de estilo desgastadas; não, o folclore pé sujo nacional está sempre na linha-de-frente.

As participações de gente do porte de Tom Zé, Arrigo Barnabé e Maurício Takara confere uma produção competentíssima ao disco e um detalhamento crucial para que os arranjos funcionassem mesmo com as pitadas de estranhamento, onipresentes. Até a música com o Barbatuques conseguiu não ficar cafona! Muito pelo contrário, é densa, doída, com soturnos graves retorcidos e ambientação profunda, metida a besta mesmo.



Luis Fernando Santos


3
Pélico

O Último Dia de Um Homem Sem Juízo [Monga Records]

O Último Dia de Um Homem Sem Juízo é uma ourivesaria pop – tem a espantosa habilidade de compor músicas grudentas que são à prova de enjôos. Pretexto, 13 de Novembro, Senhor do Meu Fim, Naquela Casa, Amanhã de Manhã, Me Prender, Gente Fina Firmeza, Completo(a)... tudo earworms da estirpe rara, aquela dos bem-vindos e que causam felicidade na recorrência. É, aberta e completamente, pra cantar, assobiar e sorrir. Mas sobrando fôlego, põe o fone e presta atenção: ourivesaria é artesanato, e como tal o disco tem surpresas que vão proporcionar todo um novo nível de compreensão, de fogo ainda mais alto.


Diego Franco


2
Instiga

Tenho Uma Banda [Independente]

Reza um ditado que simplicidade é resultado de muito trabalho. Instiga prova - é justamente ao atingir a maturidade, em seu terceiro álbum, que se torna a melhor banda de moleques de garagem aqui já descrita. Os campineiros Christian, Heitor, Pedro e Gabriel surpreendem por sua eloqüência urgente, sem pretensões, muito bem executada. O próprio nome Tenho uma banda traz à tona o espírito de que agora, de fato, os garotos têm o segredo do be-a-bá e com ele podem brincar. "Seus seios tristemente vão secar, mas meu amor jamais esgotará" fica como verso memorável do ano.


Stephanie Fernandes


1
Rivotrill

Curva de Vento [Coquetel Molotov]
Instrumentos espalhados pela sala, banheiro e cozinha, aparato de gravação montado, Rafael Duarte, Junior Crato e Lucas dos Prazeres começam os trabalhos. Como se a formação inusitada – somente baixo, sopro e percussão – já não bastasse, como se o gênero – a música instrumental brasileira – já não fosse suficientemente desafiador, a idéia do trio recifense foi dispensar ao máximo os estúdios tradicionais e gravar seu disco de estréia em uma casa alugada, se embrenhando com gosto em uma zona de timbres que mal poderiam controlados. O resultado é esse Curva de Vento (celebrado aqui no Banana Mecânica em resenha e podcast), um disco com clima de festão minucioso, à maneira de Hermeto Pascoal e Naná Vasconcelos, e de alma generosamente jazzística, abarcando ainda ecos inquietos de Jethro Tull, post-rock e latinidades. Do remédio de onde emprestam o nome, compartilham a alta potência, o longo tempo de circulação como forma ativa, peculiaridades farmacodinâmicas e só – você não vai ficar tranqüilo tomando Rivotrill.


Diego Franco

 

 

 


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