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17/08/2007
Ecos Falsos lançam primeiro disco em setembro; leia entrevista e faixa-a-faixa

A banda paulistana Ecos Falsos lança seu primeiro álbum Descartável Longa Vida, pela Monstro Discos, no dia 02 de setembro com show no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo.

O Banana Mecânica conversou com exclusividade com a banda. O vocalista Gustavo Martins, o guitarrista Daniel Akashi e o baterista Davi Rodriguez responderam algumas perguntas e, em seguida, comentaram todas as 14 faixas do disco:


Banana Mecânica: De onde vem o nome do disco?
Gustavo Martins: Acho que o nome do disco encerra nosso ciclo como "pós-boyband", estamos prontos para nos reinventarmos de novo. A música descartável que fazemos tem um prazo de validade maior - pelo menos é o que diz o fabricante, ou seja, nós mesmos. Fui claro?
Davi Rodriguez: O legal da frase é que ela tem dois lados, um de lá pra cá e outro de cá pra lá. Pode tanto ser uma coisa descartável que dure, quanto uma coisa dura que descarta.

Anteriormente, o Gustavo já tinha explicado como rolou a participação do Tom Zé (clique aqui para ler). E agora, como pintaram as participações da Fernanda Takai e do Sérgio Serra?
Davi: A Fernanda foi nesse esquema cara dura. O Serginho foi por causa do show tributo ao Ultraje... Eu o conheci pelo Rafael Laguna, do Capim Maluco. Ele ensaiou com a gente pro show tributo, rolou o show e aí a gente convidou.
Gustavo: Ele viu um show nosso, comprou o disco, camiseta e tudo, ficou fã, e o cara toca pra caralho. A gente precisava de pelo menos um guitarrista que prestasse no disco. O Tom Zé, a Fernanda e o Sérgio, nos três casos, foram convites para pessoas que admiramos e gostam das nossas músicas.

O clipe de Reveillon deu grande exposição e resposta para a banda, inclusive uma indicação ao VMB. Vocês já pensam em outros clipes, quais podem aparecer?
Davi: Nada Não vai ser o segundo clipe do disco. Mas já temos umas idéias para fazer outros. Até o fim do ano pelo menos um clipe vai rolar.

Como foi a gravação do disco? O processo todo demorou e vocês lidaram com mudanças na formação do grupo. Contem um pouco disso.
Davi: Foi legal.
Gustavo: A gravação foi demorada porque bancamos tudo com a grana da banda e isso significou ir fazendo em partes...
Davi: ...estripando o estúdio!
Gustavo: Tem o lado ruim de demorar mais, mas teve o lado bom de não ser um pacote fechado e ter que tomar decisões, porque o tempo estava acabando. Ficou do jeito que a gente queria.
Davi: Por um lado foi bom, mas não acho que vá funcionar assim de novo. Acho que funcionou, porque muitas músicas já estavam prontas, a gente só teve que aparar umas pontas. Para fazer um novo disco acho que não pode demorar tanto, porque vai dar uma brochada. Agora vai ser aquela coisa de "capturar o momento". E sim, mal acabamos o primeiro, já pensamos no segundo.

Já tem músicas novas?
Davi: Sim e não. Temos algumas velhas que vamos trabalhar pra ver o que rola. E temos algumas coisas ainda em processo de criação, mas música nova pronta ainda não.

E o show de lançamento, como será? Algo especial preparado?
Gustavo: Teremos um monte de convidados: todos os ex-membros dos Ecos Falsos, Alexandre Cavalo, do Velhas Virgens, Clayton Martin, Rock Rocket, Zefirina Bomba, Capim Maluco, Martim, da Pitty, Sérgio Serra. Se pá, mais até a data!


Faixa-a-Faixa de Descartável Longa Vida:

1) A Revolta da Musa
Davi: Hit state-of-the-art. É a música com a voz do Tom Zé, é o single, é a que abre o disco... enfim, uma predileta.
Gustavo: Muita gente entende como uma música sobre casais, mas, na verdade, foi composta pensando em artistas, essas pequenas criaturas arrogantes e carentes de atenção. O Tom Zé cantando "você sabe que um artista não se dá bem com a recusa", com toda a história de rejeição/descoberta dele, ficou de arrepiar.

2) Findo Milênio
Davi: Música antiga no repertório, ganhou produção modernosa, com cara caipira-rock e um charme meio... chulo. Para ficar feliz porque o mundo, por enquanto, não acabou. Slide venenoso.
Gustavo: Eu adoro som de guitarra slide, Johnny Winter, Ellmore James, Clapton. E, mesmo sem saber tocar essa desgraça, consegui emplacar em uma música!

3) Sobre Ser Sentimental
Davi: Violência emo com pegada Queens Of The Stone Age com pratos chineses. Por telefone.
Gustavo: Surgiu de uma frase real do Daniel. Na hora em que ele disse isso, rolou o clássico 'porra, vamos fazer uma música', e compusemos em cinco minutos.

4)Clóvis Bornay is Dead (Abadá)
Davi: Uma homenagem ao verdadeiro carnaval brasileiro e ao axé-psy.
Gustavo: Sempre achei bizarra essa história de trio elétrico, de gente que paga por um abadá ter segurança e o povão ficar do lado de fora. É nossa homenagem a esse espetáculo carlista.

5) A Última Palavra em Fashion
Davi: Vem pronta, para cantar e dançar de echarpe [da grife louis] vuitton com maquiagem borrada da Karen O [vocalista do Yeah Yeah Yeahs].
Gustavo: É das primeiras do Ecos Falsos também. Quando estávamos começando, ainda rolava muito dessa coisa de cantar em inglês, querer fazer sucesso fora... Na era pós-CSS, fica ainda mais legal cantar "Como assim? Você não viu? Se é bom para Nova York, é bom para o Brasil".

6) Dois a Zero
Davi: Um casal brigando com tecladinho Casio de fundo. Um dueto cheio dos efeitos. E, claro, com a voz linda da Fernanda Takai.
Gustavo: É a música mais ambiciosa do disco e a mais difícil de reproduzir ao vivo também. Quando pensávamos no contraponto feminino, era algo do tipo "poxa, seria tão legal ter uma voz tipo a da Fernanda Takai, né?". Daí mandamos o convite, mais por desencargo de consciência. E ela aceitou!

7) Nada Não
Davi: Tipo Clash... NOT.
Gustavo: Uma das mais românticas. É meio inevitável falar sobre amor quando se está compondo, mas pelo menos procuramos umas maneiras diferentes do que "você se foi", "valeu a pena", "estou sofrendo", "está difícil" e esses quejandos todos.

8) Primeira Página
Davi: A insistente primeira música dos Ecos Falsos. Porque nós adoramos o jornalismo combativo da Veja ou da Caras.
Gustavo: Eu gosto do fato de que o refrão não deixa claro se o cara está se lamentando ou se revoltando com o fato de que não estará na primeira página. A relação negação/inveja é bem tênue, principalmente nesse eixo independentes vs. mainstream. A interpretação fica a cargo do freguês.

9) Eu Nunca Ganho
Davi: Música antigamente elétrica, mais pesada. Ganhou cara acústica, prevendo uma futura reunião de 20 anos da banda para tentar ganhar alguma coisa um dia.
Gustavo: Ela era um punk-farofa bem convencional, mas o refrão funciona bem. Brasileiro tem um certo complexo de derrota. Por que não cantar sobre isso?

10) Animada
Davi: Música para dançar e lembrar dos tempos da brilhantina do Belchior.
Gustavo: O mais próximo que os Ecos Falsos conseguiram chegar da discoteca, acho. Tem vezes, como essa, em que não adianta ficar pensando muito em letras e nomes. Cito Zappa: "you are what you is"

11) Hino em Louvor ao Bom Amigo Inibié
Davi: Momento gospel racional dos Ecos Falsos. A hora de erguer as mãos e dar glória a Êle, Inibié.
Gustavo: Não vou contar mais a história de como surgiu essa música, ninguém acredita! Mas no show de lançamento vai rolar o Coral dos Bons Amigos de Inibié, vai ser lindo.
Daniel Akashi: Mais uma música feita a partir de uma frase fenomenal de Daniel Akashi San! [risos]

12) Isso Me Cansa
Davi: A festa das guitarras. Sérgio Serra, do Ultraje, solou muitas vezes durante a música e a gente deixou todas na mix final.
Gustavo: A letra é do Daniel. Pergunta pra ele o que quer dizer!
Daniel: Porque a inveja mata aos poucos. Mas isso não faz mal.

13) Reveillon
Davi: A música do clipe, a que nos deixou ricos e famosos e queridos nas altas rodas.
Gustavo: Reveillon é uma música bastante pessoal, mas mistura diversas circunstâncias diferentes - isso é útil para não descobrirem de cara sobre o que você está falando. Ela antes falava diretamente sobre virada de ano, réveillon, uma época que quase sempre me deixa deprimido, mas depois eu mudei tudo. Pelo menos ensinamos o Brasil a escrever "réveillon"!

14) Bolero Matador
Davi: Com duas baterias ao mesmo tempo, faz chacoalhar até o mais tímido dos sentados.
Gustavo: Já me disseram que essa é a música mais "gaúcha" do CD. Deve ser a proximidade com a Argentina, o clima dos pampas ou pela letra avacalhada.
Daniel: Eu diria que se Cauby Peixoto estrelasse em Kill Bill, esta seria sua trilha sonora.

15) Speed Porco
Davi: É um presente, é a bonus track. De cavalo dado não se olha os dentes.
Gustavo: Pssst! Não conta para ninguém que está no disco!
Daniel: Boa! [risos]


Ouça aqui o disco em streaming.


Wilson Farina
wilson@bananamecanica.com.br

 

 

 
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