Banda lança seu primeiro disco, Bandeirante
“Lá vem eles com suas bandeiras Suas armas e outras asneiras Esses homens pássaros do espaço” Guilherme Arantes – Xixi nas estrelas
Foi numa terça-feira fria e estrelada, último dia 21, que a banda Os Telepatas subiu ao palco do Studio SP para lançar seu primeiro álbum, Bandeirante.
O quarteto abriu com uma dança psicodélica de cordas sublime, PrimaCanção, obra-prima, presságio de uma noite aconchegante. "Vou te cantar/ Em tons de vermelho então/ Te ensinar a pintar...", Fabs, o vocalista, profetizou sem pretensão, mas com paixão.
E assim fluiu um show bacana, em tons de vermelho. Ainda que a temática do CD gire em torno de sonhos e céus estrelados (a arte do encarte mesmo consiste em constelações impressas em papiros), o som é quente e pesado por sua força poética, mistura de influências do Clube da Esquina ao indie lo-fi dos anos 90/2000, como Wilco e The Shins, excêntrico e experimental sem incomodar. Pelo contrário, inclusive, para abraçar.
O conserto (com s mesmo) da noite fria seguiu com O Medo é Amigo Meu, canção que brilhou por sua gaita acolhedora, bonita tradução instrumental de como o rapaz da canção faz do espanto um encanto, e vice-versa - "Combinar/ O desencontro/ Isso não me assusta/ Porque o medo é/ Amigo meu de tempos". Os Telepatas se mostrou um conjunto romântico, e não no sentido piegas da palavra, mas por ser uma arte(manha) de tom bucólico e nostálgico.
Logo, tocou-se À Cor da Manhã, que subiu o vermelho para seus tons mais vivos, com arranjos progressistas animados, embalando-se logo (e embalando a todos ali) num agito à la Pato Fu, com Minhas Dúvidas. Momento rubro-marcante do show foi então, uma miscelânea gostosa de estilos, moderna, quê tropical no rock n’ roll pontuado por um surto num pandeiro e pela bateria engrenada num ritmo sambinha-jóia.
Dos arranjos delicados às belas letras singelas, Os Telepatas fez uma boa viagem de lançamento a seu espaço. Os meninos ainda têm um longo caminho a percorrer, para se encontrarem melhor com suas vozes, explorarem e devassarem melhor seus territórios, como ditos bandeirantes, para então, seguros, soltarem-se mais.
Mas daí é certo. O Cruzeiro do Sul nos aponta uma boa promessa. Guardemos um espaço na janela para a futura constelação, torcendo para que a busca logo menos engrene em uma explosiva supernova.
Texto: Stephanie Fernandes celophanie@gmail.com
Fotos: Bea Rodrigues




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