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29/08/2007
Os Telepatas no Studio SP
Banda lança seu primeiro disco, Bandeirante


“Lá vem eles com suas bandeiras
Suas armas e outras asneiras
Esses homens pássaros do espaço”
Guilherme Arantes – Xixi nas estrelas


Foi numa terça-feira fria e estrelada, último dia 21, que a banda Os Telepatas subiu ao palco do Studio SP para lançar seu primeiro álbum, Bandeirante.

O quarteto abriu com uma dança psicodélica de cordas sublime, PrimaCanção, obra-prima, presságio de uma noite aconchegante. "Vou te cantar/ Em tons de vermelho então/ Te ensinar a pintar...", Fabs, o vocalista, profetizou sem pretensão, mas com paixão.

E assim fluiu um show bacana, em tons de vermelho. Ainda que a temática do CD gire em torno de sonhos e céus estrelados (a arte do encarte mesmo consiste em constelações impressas em papiros), o som é quente e pesado por sua força poética, mistura de influências do Clube da Esquina ao indie lo-fi dos anos 90/2000, como Wilco e The Shins, excêntrico e experimental sem incomodar. Pelo contrário, inclusive, para abraçar.

O conserto (com s mesmo) da noite fria seguiu com O Medo é Amigo Meu, canção que brilhou por sua gaita acolhedora, bonita tradução instrumental de como o rapaz da canção faz do espanto um encanto, e vice-versa - "Combinar/ O desencontro/ Isso não me assusta/ Porque o medo é/ Amigo meu de tempos". Os Telepatas se mostrou um conjunto romântico, e não no sentido piegas da palavra, mas por ser uma arte(manha) de tom bucólico e nostálgico.

Logo, tocou-se À Cor da Manhã, que subiu o vermelho para seus tons mais vivos, com arranjos progressistas animados, embalando-se logo (e embalando a todos ali) num agito à la Pato Fu, com Minhas Dúvidas. Momento rubro-marcante do show foi então, uma miscelânea gostosa de estilos, moderna, quê tropical no rock n’ roll pontuado por um surto num pandeiro e pela bateria engrenada num ritmo sambinha-jóia.

Dos arranjos delicados às belas letras singelas, Os Telepatas fez uma boa viagem de lançamento a seu espaço. Os meninos ainda têm um longo caminho a percorrer, para se encontrarem melhor com suas vozes, explorarem e devassarem melhor seus territórios, como ditos bandeirantes, para então, seguros, soltarem-se mais.

Mas daí é certo. O Cruzeiro do Sul nos aponta uma boa promessa. Guardemos um espaço na janela para a futura constelação, torcendo para que a busca logo menos engrene em uma explosiva supernova.

Texto:
Stephanie Fernandes
celophanie@gmail.com

Fotos:
Bea Rodrigues










 

 

 


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