O BM conversou com organizadores dos principais eventos para saber como anda o cenário que parece atrair cada vez mais o interesse de grandes empresas
Inserção parece ser a palavra de ordem na cabeça de organizadores de festivais de música independente espalhados por todo o Brasil. Esta é a impressão que ficou da conversa que o Banana Mecânica teve durante algumas semanas com os que fazem girar esta roda fora de São Paulo.
Mais do que fazer parte do grupo de cidades possíveis para shows de bandas menores, os festivais visam à participação de um circuito que se nacionaliza a cada dia. O Varadouro, por exemplo, fala de uma “inserção definitiva do Acre” nesta nova cena musical – expressão citada por mais de um organizador. Ou seja, mais do que ser expectador, pretende mostrar a “contribuição amazônica” para este processo.
É o mesmo sentimento do Se Rasgum, do Pará, como diz o organizador Marcelo Damaso. Apesar de salientar as dificuldades, diz ter conseguido provar que "Belém comporta um festival deste tamanho e tem um público muito ávido por novidades”. Isto talvez explique o sucesso de festivais que conseguem ser grandes mesmo não precisando se apoiar prioritariamente em atrações internacionais. Há lineups que comportam desde bandas locais muito pequenas a artistas enormes para esta cena, como Nação Zumbi ou Tom Zé.
Claro que nem tudo é fácil para os organizadores, que rebolam para conseguir patrocínio. Descontando a tensão, contar apenas com o dinheiro dos ingressos ou com parceiros de pequeno porte é mais produto de um cenário em formação do que de uma tendência. Não é à toa que patrocinadores grandes como a Petrobras, que, recentemente, destinou dinheiro a festivais em seu edital, e a operadora de celular TIM (patrocinadora do Se Rasgum) já estão colocando verbas de marketing em iniciativas menores do que um Skol Beats ou mesmo um TIM Festival, e que privilegiam artistas nacionais.
Enquanto o “fora-do-eixo” se mobiliza, o setor “dentro-do-eixo” não dá sinal de abandonar os grandes festivais, com atrações gringas pesadas e caras. Rodrigo Lariú (Midsummer Marness/Algumas Pessoas Tentam Te Fuder...) arrisca um palpite. Além de lembrar da cultura “8 ou 80” de cidades maiores, em que os números das verbas de marketing e do retorno esperado são sempre enormes, diz que em uma capital menor “muitas vezes o seu evento é 'o' evento do final de semana na cidade. Além disso, você tem acesso facilitado ao poder público e aos empresários para apresentar seu projeto.”
No final, resta a impressão de que São Paulo e Rio de Janeiro ainda ficarão órfãos de eventos menores e mais ousados por um bom tempo; enquanto o resto do país borbulhará com festivais cheios de caras novas e sangue no olho, como os listados abaixo.
Vaca Amarela - Goiânia (GO)
http://www.fosfororecords.com/vacaamarela
31/08 e 01/09
6ª Edição
Organizador: Fósforo Records
Patrocinadores: Secretaria de Cultura de Goiás e Prefeitura Municipal de Goiânia
Conceito: Festival de médio porte com artistas independentes da cena de Goiânia e do Brasil. Foram shows de 16 artistas por dia, totalizando 32 apresentações. Com uma estrutura de dois palcos, o festival pretende ser um aglutinador de tendências culturais. Além dos shows, foram ministradas palestras e workshops sobre organização de palco, assessoria de imprensa para bandas, marketing direcionado, articulação coletiva junto aos setores público e privado, entre outros temas.
Programação musical: The Hellbenders, Lady Lanne, Mersault e a Máquina de Escrever, Boddah Diciro, Dead Smurfs, Poser Pride, Diego de Moraes, Shakemakers, Chapéu, Cerveja e Frustrações, Yglo, Seven, Trilöbit, Satanique Samba, Trio, Mechanics, Vanguart, Kid Vinil e Magazine, Infalíveis, Maria e Seus Malucos, Chilli Mostarda, Futura, Uganga, Montage, Patife Band, Charme Chulo, Woolloongabbas, Technicolor, Bang Bang Babies, Revoltz, Johnny Suxxx and the Fucking Boys, Goldfish Memories, Tequila Baby e Bidê ou Balde
Entrevista com Pablo Kossa, organizador: Esta é a sexta edição do Vaca Amarela. Tem ficado mais difícil ou mais fácil? Qual é a maior dificuldade que vocês enfrentam para fazer o festival? Acho que tudo permanece no mesmo patamar. A experiência avança em alguns pontos e, por outro lado, como o festival cresce, surgem sempre novas realidades para as quais não estamos preparados. A nossa maior dificuldade é inegavelmente a captação de recursos. Se não tivéssemos um público tão legal aqui em Goiânia, o festival não teria este porte.
Festival Jambolada – Uberlândia (MG)
www.jambolada.com.br
14 a 16/09
3ª Edição
Patrocinadores: Governo do Estado de Minas Gerais, Natura
Conceito: O projeto, segundo seus realizadores, visa à exposição dos trabalhos locais e o intercâmbio com artistas e produtores brasileiros a fim de potencializar a cena independente em Uberlândia e região, por meio de shows e ciclos de palestras sobre mídia e cultura independente.
Programação musical: Vandaluz, Acidogroove, Proa, Falcatrua, Juanna Barbêra, Tom Zé, Los Porongas, Vanguart, Porcas Borboletas, Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, Um Bando e o Fim da Quadrilha, The Dead Lover’s Twisted Heart, Super HI-FI, Estrume’n’tal, Dead Smurfs, Astronautas, Supergalo, Superguidis, Antena Buriti, Nação Zumbi, Quarto de Tom, Duofel, Makely Ka, O Quarto das Cinzas e Móveis Coloniais de Acaju
Se Rasgum - Belém (PA)
www.serasgum.com.br
15 e 16/09
2ª Edição
Organizador: Dançum Se Rasgum Produções
Patrocinadores: Tim, DiCasa, Visão, Mormaii
Conceito: O objetivo é dar espaço para as bandas do Pará, que formam 70% da programação. Neste ano, foram abertas inscrições livres para bandas novas. Segundo Marcelo Damaso, organizador do evento, o Se Rasgum também pretende colocar Belém diretamente na rota dos grandes shows da nova música brasileira. Além dos shows, há um ciclo de debates a respeito de jornalismo cultural.
Programação musical: Móveis Coloniais de Acaju, MQN, Madame Saatan, Cravo Carbono, Cabaret, Macaco Bong, Telaviv, I.O.N., Johny Rockstar, Turbo, Lafusa, Ultraleve, Telesonic, Mr. Jungle, Filhos de Empregada, Monomotor, Quimera Porfia, Malachai, Cordel do Fogo Encantado, Coletivo Rádio Cipó, La Pupuña, Norman Bates, Nashville Pussy, Rennegados, Delinquentes, Sincera, Sweet Fanny Adams, Attack Fantasma, Stereoscope, Stereovitrola, Hebe e os Amargos, SuperJack
Entrevista com Marcelo Damaso, organizador: O fato de Belém estar longe do eixo SP-RJ dificulta a realização de um evento como este? Tenho certeza que, aqui no norte, as dificuldades são muito maiores do que em qualquer outra região do país. Algumas questões meramente burocráticas, relacionadas às leis de incentivo que temos, acabaram dificultando as coisas nesta segunda edição. É muito irônico. Ano passado estávamos arriscando tudo pela primeira edição e, graças a um trabalho árduo, conseguimos chamar a atenção e mostrar que Belém comporta um festival deste tamanho e tem um público interessado e ávido por novidades. É o novo perfil desta geração. Há muita coisa nova na música brasileira, muitas opções. Os fãs dividem-se ainda, é claro, entre suas prediletas, mas acredito que o preconceito musical foi algo que ficou apenas para cidades onde se tem tudo, como Rio e São Paulo.
Como você definiria o publico do Se Rasgum em Belém? Gente com cabeça aberta e ávida por novidade. É incrível isso. No ano passado, diversas bandas ficaram de queixo caído pelo interesse que viam no público, tanto pelos shows como em CDs, camisetas etc. Um dos maiores motivos de se fazer um festival como o Se Rasgum no Rock, em Belém, é de ver que o público assimila as novidades e está muito disposto a conhecer o novo.
Os patrocínios foram por meio de leis de incentivo? A TIM patrocina por meio de uma lei de incentivo à cultura. Eles apostaram no nosso festival na primeira edição e estão com a gente neste segundo. Acredito que a parceria dure um bom tempo. Agora, devido à verba aprovada pela lei de incentivo na qual inscrevemos o projeto, o valor destinado foi metade do mínimo que precisávamos para fazer esta edição. Temos outros parceiros grandes para o festival, gente que viu o que aconteceu no ano passado e está apostando neste, como Ná Figueredo, um dos maiores incentivadores do rock paraense. Além dele, temos algumas empresas como as lojas Visão, Di Casa e a cerveja Sol, que entrou como a cerveja oficial de grande parte dos festivais de música independente no Brasil. De resto, conseguimos alguns apoios bons de órgãos públicos, como Detran, que nos ajudou a realizar esse festival.
Festival Varadouro (Rio Branco-AC)
www.festivalvaradouro.com.br
19 e 20/10
2ª Edição
Organizador: Catraia Records
Patrocinadores: Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic)
Conceito: O festival pretende a inserção definitiva do Acre no circuito musical independente brasileiro por meio do fortalecimento da cadeia produtiva nacional com ênfase na contribuição amazônica. Além disto, o intercâmbio e a expressão na mídia nacional estabelecem referenciais para melhoria da qualidade técnica e estética da produção local. Além dos shows, estão programadas reuniões do Circuito Fora do Eixo e da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), bem como o debate “Independência ao Norte”, ocasião em que produtores da região norte e de outras regiões brasileiras discutirão alternativas para a inserção definitiva do norte no circuito musical nacional.
Programação musical:
dia 19 de outubro, sexta-feira: Survive – 20h Recato – 20h30 Lord Crossroad – 21h Escalpo – 21h30 Tetris - 22h Filomedusa – 22h40 Superguidis – 23h20 Camundogs – 0h00 Madame Saatan – 00h40
dia 20 de outubro, sábado: Marlton - 20h Mr. Jungle - 20h30 Blush Azul - 21h Nicles - 21h30 Ludovic - 22h Mapinguari Blues - 22h40 O Quarto das Cinzas - 23h20 Los Porongas - 00h Turbopótamos - 0h40
Festival Demo Sul - Londrina (PR)
www.demosul.com.br
16 a 18/11
7ª Edição
Organizador: Marcelo Domingues
Patrocinadores: Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic)
Conceito: A proposta é criar um complexo multicultural, em que música, fotografia e jornalismo cultural se integrem em um mesmo espaço. Diferentemente das edições anteriores, haverá a opção de outros ambientes como o Espaço Eletrônico, voltado para a discotecagem de DJs convidados. Será criado um espaço para exposição de fotografias do Arquivo do Rock, projeto criado com o objetivo de reunir materiais relacionados à história do rock nacional em exposições itinerantes, e o 3º Simpósio de Música Independente, realizado antes do início do festival e que tem como tema “O Mercado da Música e a Comunicação Independente”.
Programação musical: Edgar Scandurra, Vanguart, Trilöbit, Droogies, Charme Chulo, Espiritos Zombeteiros, New Ones, Vertix, The Wind, Ludov, Moveis Coloniais de Acaju, Junkie Bozo, Eddie, Cha de Chocalho, Los Porongas, Clavadistas, Terra Celta, Liga Protestante, Matanza, Supergalo, Hocus Pocus, Bang Bang Babies, Fisicopatas, Revoult, Toa Toa, Chernobils, Crazy Horse
Eletronika - Festival de Novas Tendências Musicais (Belo Horizonte-MG)
10 a 17/11
7ª Edição
Organizador: Malab Producoes
Patrocinadores: Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic)
Conceito: A programação divide-se em shows, apresentação de DJs e algumas atividades complementares, como palestras, bate-papos, oficinas e workshops. O intuito é constituir um panorama da música eletrônica produzida no Brasil e no mundo.
Programação musical: Confirmadas até agora a banda The Fields e o LCD Soundsystem. O lineup nacional deve ser divulgado em breve.
Goiânia Noise Festival - Goiânia (GO)
www.goianianoisefestival.com.br
23 a 25/11
13ª Edição
Organizador: Monstro Discos
Patrocinadores: Mundo Móveis e Utilidades Domesticas
Conceito: Um dos maiores festivais brasileiros, terá este ano mais de 40 atrações musicais, com bandas da Argentina e Portugal, além do fenômeno norte-americano Battles. A programação inclui palestras e debates a respeito de produção cultural, espalhados por vários lugares da cidade.
Programação musical: dia 23 de novembro, sexta-feira Mugo Seven Barfly Banda selecionada via TramaVirtual Superguidis Cooper Cobras Violins Os Haxixins MQN Sick Sick Sinners Móveis Coloniais de Acaju Rubín & Los Subtitulados The Dts Pato Fu
dia 24 de novembro, sábado Woolloongabbas Control Z Valentina Banda selecionada via TramaVirtual Pelvs Sangue Seco Kassin + 2 Perrosky Mechanics Mukeka de Rato Korzus The Legendary Tigerman Jupiter Maçã Cordel Do Fogo Encantado
dia 25 de novembro, domingo Perfect Violence Black Drawing Chalks Rollin’ Chamas Banda selecionada via TramaVirtual Ecos Falsos Damn Laser Vampires Macaco Bong Motherfish Pata de Elefante Spiritual Carnage The Battles Motosierra Mundo Livre SA Sepultura
A próxima edição o festival contará com patrocínio mais consistente do que o da loja de utilidades domésticas que tem hoje. O evento teve aprovados 200 mil reais no último edital da Petrobras.
Senhor F Festival
www.senhorf.com.br
23 a 25/11
3ª Edição
Organizador: Projeto Senhor F
Patrocinadores: Não há. Sobrevive de bilheteria e apoios.
Conceito: Coroamento do evento "Noite Senhor F", realizado em Brasilia desde 2001, que tem em sua programação bandas de todo o país.
Programação divulgada até agora: Rubin & Los Subtitulados, Legendary Tiger Man, Superguidis, Beto Só
Evidente (ex-Algumas Pessoas tentam Te Fuder) - Rio de Janeiro (RJ)
http://mmrecords.com.br
Primeira semana de dezembro, Rio de Janeiro
10ª edição
Organizador: Midsummer Madness (Rodrigo Lariú, Rodrigo Letier)
Patrocinadores: Midsummer Madness, apoio da cerveja Sol (a confirmar)
Conceito: O Algumas Pessoas tentam Te Fuder nasceu para ser um festival exclusivo para as bandas do Midsummer Madness. Mas já na segunda edição, havia mais bandas convidadas do que bandas do MM. O nome do festival foi, então, substituído para Evidente, pois o Algumas Pessoas era um festival que tinha a ver exclusivamente com 'ser um festival para bandas do MM'.
O conceito pro Evidente começou em 2004 quando o Midsummer Madness, junto com a produtora TVZero (daqui do RJ) criou uma versão beta de um site para dar espaço a shows de bandas que a gente gosta. Isso foi numa época pré-You Tube.
Mas, apesar do You Tube, o conceito do Evidente permanece. A nossa visão de festival é que ele precisa ser um espaço que ajude na continuidade da carreira dos artistas, dando visibilidade, colocando em evidência. Resumindo, o Evidente é um festival que não acaba quando o show termina; nossa intenção é registrar os shows em áudio e vídeo e manter as bandas "tocando" por mais tempo.
Atrações já confirmadas: Nenhuma. Mas deve incluir bandas do Midsummer Madness.
Entrevista com Rodrigo Lariú, organizador: Tecnicamente o Rio de Janeiro está dentro do eixo. Para inverter a pergunta óbvia, quais são as dificuldades em se fazer um festival dentro do eixo? Aqui no Rio de Janeiro são várias. Existe uma cultura do estrelato na cidade. Durante anos, o Rio foi o centro de produção e difusão de artes no país e ainda é. Na área da música, temos na cidade grandes espaços para shows, muitos artistas famosos moram aqui, algumas gravadoras majors ainda têm sede na cidade, bem como grandes produtoras de evento e empresas de mídia. Tudo funciona meio no 8 ou 80. O 8 é o showzinho em bar, para 300 pessoas, divulgado na guerrilha, esquema udigrudi (mas muito bem feito, diga-se de passagem). O 80 é o Rolling Stones tocando na praia de Copacabana para 1 milhão de pessoas, ou o Tim Festival.
As dificuldades são as de sempre: a maioria das empresas não entende ainda como se associar a festivais independentes; o plano de marketing delas funciona muito em cima de números gigantescos, que não se assemelham aos números de um festival independente. Ao mesmo tempo, o público do Rio de Janeiro freqüenta lugares "da moda", ou seja, tem muito mais gente que vai num evento porque vai estar cheio do que pela atração musical. O maior exemplo disso é o Tim Festival. E ainda é difícil você conseguir a divulgação de massa necessária para o festival sem ter verba para divulgação. Sem tocar no rádio, sem aparecer nas capas de jornais e na televisão, o evento continua a ser para 8 e não para 80.
Outros motivos menores também dificultam: quando você produz um evento numa capital menor como Goiânia ou Natal, muitas vezes o seu evento é "o" evento do final de semana na cidade. Além disso, numa cidade menor, você tem acesso facilitado ao poder público e aos empresários para apresentar seu projeto.
Sobre o novo festival, o que muda, principalmente, em relação ao Algumas Pessoas...? Deixa de ser um festival exclusivo para as bandas que fazem parte do cast do Midsummer Madness. Passa a ser um festival voltado para os produtos que podem ser gerados do show ao vivo, com áudio e vídeo exclusivos.
Para brigar com os grandes festivais, que pegam pesado nas atrações gringas, qual é a saída? Não brigo com eles, acho que cada um tem seu espaço. Não quero jamais que o Evidente vire um Tim Festival. Aposto que a recíproca é verdadeira. Como dizia o slogan do antigo patrocinador do Tim Festival, "cada um na sua".
Também não acho que "pegar pesado nas atrações gringas" seja a razão de sucesso destes festivais. O Tim Festival, o Skol Beats, todos eles têm uma estratégia de promoção muito maior que apenas a escalação musical. O Tim Festival, por exemplo, nos dois últimos anos (2006 e este 2007) tem uma escalação, na minha opinião, sofrível. Mas mesmo assim vai estar lotado. O Algumas pessoas... já trouxe para o Rio de Janeiro bandas como Stereolab, Yo La Tengo, Mogwai, Cat Power, Jens Lekman, Hell on Wheels, Verme Arder entre algumas atrações gringas e nem por isso estas edições foram melhor de público que as outras. Ao mesmo tempo, as edições mais elogiadas e comentadas do antigo Algumas Pessoas... foram edições exclusivamente com bandas nacionais.
Por fim, na minha opinião, o público tem que parar de ser discípulo de Lucio Ribeiro e achar que o evento só é bom quando tem um Arctic Monkeys tocando. Nada contra Arctic Monkeys ou Lucio Ribeiro. Mas prestar uma atençãozinha na excelente safra musical do independente musical dos últimos quatro ou cinco anos ajudaria bastante! Tenho certeza que eu montaria uma escalação de festival só com bandas nacionais muito melhor do que a escalação do Tim Festival de 2006 e de 2007 inteiros. Para alguns jornalistas e para a grande maioria do público "alternativo", aqueles que se dizem "antenados", evento bom é evento que tem banda gringa hype. Se as pessoas ouvissem mais as bandas nacionais em vez de ficar procurando banda obscura na Islândia ou no Uzbesquistão, iam ver que já temos uma cena muito foda pronta para tocar.
Quem está dentro do eixo sabe que o público no Rio e em SP não é a multidão maravilhosa que se pensa quando você faz um evento. A que você deve isso? À dispersão causada pelas opções disponíveis a este público ou à desmobilização, falta de interesse das pessoas? E qual seria a melhor maneira de formar e fidelizar este público por meio de um festival? Não sei exatamente. Se eu tivesse a resposta, estaria rico. Essas coisas normalmente não dependem da ação de um "Dom Quixote". Dependem muito mais de uma mudança de mentalidade de todos envolvidos (público, produtores, mídia, bandas) do que da iniciativa de um festival querendo forçar a barra.
Isso não me importa muito. Quero dizer, claro que se mudar vai ser bom para mim. Mas se não mudar, vou continuar fazendo eventos e festivais do mesmo jeito. Faço o Evidente para quem gosta de boa música. Se são 500 ou 5.000 ou 50.000 pessoas, vou adequar a estrutura a isso e serão todos muito bem-vindos. E tem aquilo, né: prefiro 500 interessados a uma massa disforme de 50.000, que me obriga a incluir Ivete Sangalo na programação. Se chegar algum dia a ter 50.000 interessados em boa música, é a glória.
PE no Rock - Recife (PE)
www.penorock.com.br
16 e 17/11
8ª Edição
Organizador: SD Produções
Patrocinadores: Governo do Estado de Pernambuco, Arpe e Fundarte
Conceito: O evento busca a expansão, promoção e divulgação da cena pernambucana. Durante os dois dias, haverá apresentações de 31 bandas do estado. A partir de 2007, começaram a ser organizadas seletivas para bandas iniciantes interessadas em tocar no festival, realizadas nas cidades de Recife, Petrolina e Garanhuns. A programação é gratuita.
Programação (a ser confirmada): Edilza, Charles Teony, Zé Romão, Rhudia, Favela Reggae, Ticuqueiros, Casas Populares da BR 232, Estado Civil, San B, Pernamuamba, Muendas de Pernambuco, Devotos, Faces do Subúrbio, Hanagorik, Insurrection Down, Os Cachorros, Matalanamão, Andréa Amorim, Hipnose, Tribo Suburbana, Pácua & Via Sat, Ap805, Fiddy, Relles, Kinto Karma, Sobreviventes do IDR
Festival Mundo - João Pessoa (PB)
www.festivalmundo.com
14 e 14/09
3ª Edição
Organizador: Rayan Lins e Carol Morena
Patrocinadores: Coca Cola Zero, Prefeitura do Município de João Pessoa e Sebrae
Conceito: Festival multimídia de arte independente. Além de shows, o festival prevê oficinas sobre produção musical, feira de negócios para stands de selos independentes da região e espaço para lojas de música. Também conta com uma mostra audiovisual e uma exposição de arte. O objetivo principal é prestigiar artistas de diversas áreas e incentivar as produções locais, colocando João Pessoa no circuito de festivais independentes do nordeste.
Programação musical: Volante Filipéia, Da Silva e a Usina Dub, Vamoz!, The Sinks, Vinil 69, Vitrola, Scary Monsters, Retaliação, Dead Nomads, Ecos Falsos, The Playboys, Meiofree, Encarnado, Sem Horas, Matiz, Fóssil, Os Reis da Cocada Preta, Pluma, Malaquias em Perigo
Entrevista com Rayan Lins, organizador: O Festival Mundo não é um festival exclusivamente de música, mas de arte independente no geral. Ele já nasceu assim ou foi mudando nestes três anos? Na primeira edição, o Festival Mundo já tinha este interesse em ser multimídia, em oferecer algo mais ao público, imagem além de áudio. Mas foi algo simples, um telão com vários artistas projetando fotos e vídeos. Na edição do ano passado foi que a coisa realmente se concretizou. Tivemos uma exposição de artes que durou um mês, sendo bem visitada, com curadoria de Fábio Queiroz. Além disso, tivemos uma mostra audiovisual, comandada por Zonda Bez (Abd-PB), na qual o público podia passear pela historia da música independente paraibana, por meio de curtas produzidos durante as últimas décadas, e uma palestra sobre a web 2.0 e o Overmundo, com Bruno Nogueira (PE).
Houve alguma maneira das bandas enviarem seu material pra fazer parte da programação? Todo ano informamos pela internet (Orkut, listas de discussão etc) sobre as inscrições de artistas interessados em participar do evento. Realmente funciona, pois recebemos material de todo o país e sempre tem coisas super legais que não conhecíamos e que nos surpreendem
Qual foi a maior dificuldade que vocês enfrentaram nestes três anos? Realizar um festival de arte independente é difícil e isto todos sabem. Na Paraíba, a coisa é um pouco mais complicada, e a grande dificuldade são os patrocínios. Poucas empresas se interessam em investir, acham que é um gasto e não vêem retorno. Queremos oferecer uma boa estrutura física para o público, boas atrações, desenvolver oficinas e palestras que contribuam para o crescimento do mercado cultural independente. Isto requer muita grana, por isso a importância de parcerias com organizações públicas e privadas. Mesmo assim, conseguimos fazer um trabalho bacana e com qualidade, com o qual obtivemos o respeito dos artistas e do público.
Festival No Ar Coquetel Molotov - Recife (PE)
www.coquetelmolotov.com.br
14 e 15 de setembro
4ª Edição
Organizador: Coletivo Coquetel Molotov
Patrocinadores: Governo do Estado de Pernambuco e Funcultura
Conceito: Além de shows com bandas nacionais e internacionais, o festival No Ar Coquetel Molotov propõe um evento multimídia que engloba cinema, artes visuais, tecnologia e literatura. Há debates, exibição de filmes, uma exposição de fotografias e feira cultural.
Programação musical: Backstages, Fóssil, Elma, Volver, Supercordas, Love Is All, Prefuse 73, Conceição Tchubas, Hello Saferide, Suburban Kids With Biblical Names, Vamoz!, Wado, Cibelle e Nouvelle Vague
Entrevista com Ana Garcia, do coletivo Coquetel Molotov: Este ano o festival trouxe artistas razoavelmente consagrados no exterior. Há alguma abertura para bandas novas que queiram se apresentar no festival? Vocês pretendem abrir inscrições para bandas em uma edição próxima? Estamos sempre recebendo material de bandas de diversas partes do país e do mundo. Não é necessariamente uma inscrição, mas com certeza conhecemos vários grupos desta forma. Se não rolar no festival, pode ser que façamos uma resenha na revista ou toquemos no programa de rádio. Algo normalmente acontece. É uma possibilidade chegar a abrir inscrições, mas não acredito que aconteça já no próximo ano.
Cecília Lara laraunesp@yahoo.com.br
Luis Fernando Santos luis@bananamecanica.com.br
 Ecos Falsos @ Mundo 2006 (foto: divulgação/Adriana Rosa)
 Jambolada 2007 (foto: Adreana Oliveira)
 Ludovic @ Goiania Noise 2006 (foto: Renato Reis)
 Nação Zumbi @ Jambolada 2007 (foto: Adreana Oliveira)
 Wander Wildner @ Se Rasgum 2006 (foto: Renato Reis) |