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  <title>Discos</title>
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   <title>Pedro Luis e a Parede - Ponto Enredo</title>
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&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_pedroluiseaparede_pontoenredo.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Pedro Luis e a Parede&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Ponto Enredo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;EMI; 2008, Harmonia Mundi; 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Devoção, malandragem e horário-de-pico. Tudo isso em equilíbrio nos desdobramentos modernosos do samba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;


&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;“O samba é o santo remédio...” diz a música que abre o álbum, só pra reforçar que não tem maior verdade e/ou maior clichê do que dizer que no Brasil tudo acaba em samba – olhem nosso rock provando isso novamente. Quanto mais perturbada é a realidade, mais samba pra amenizar nosso domingo. E quem sou eu pra ir contra tal cultura, muito pelo contrário, devido a essa relação é que músicos como Pedro Luis e a sua respeitável Parede mantém o samba realmente vivo e dando conta de expressar o hoje.   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Longe de fazer sambinha pra gringo, o conjunto carioca vem em Ponto Enredo acertando num samba urbano e tecido dos mais diversos fios do Brasil numa música híbrida que nos impede de simplesmente taxar de afro-samba, mangue-beat, samba-groove ou qualquer outra colagem já redundante. “Não somos um grupo de samba e venho notando que hoje em dia ele vem sendo utilizado como subterfúgio para classificar quem faz simplesmente música brasileira”, pelas palavras do próprio Pedro. Um emaranhado de cotidiano, sensualidade, asfalto, areia e muita religiosidade é o que tece a expressão mais do que natural da banda tanto nessa formação como quando encarnam o sua outra formação, o Monobloco.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Malandragem afinada (até demais; esperava mais gritos viscerais de Pedro Luis à Jorge Bem, que ele sempre fez tão bem) em &lt;i&gt;Ele tem a beleza que eu nunca sonhei&lt;/i&gt; que teve participação de Zeca Pagodinho para falar da música como uma musa numa pegada mais tradicional de sapato branco e flor na lapela. Mas já em &lt;i&gt;Repúdio&lt;/i&gt;, letra em parceria com Carlos Rennó, um peso da guitarra na cadência de partido alto soando como trip-hop nos tiram do fundo do quintal para espreitar as janelinhas dos presídios. Qualquer semelhança com o movimento de foco do nosso dia-a-dia não é mera coincidência.   &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De fato o que mais puxa pela modernidade no disco é a guitarra que vem rasgada mas não deixa em desequilibro quando se mistura com a percussão tanto da bateria como também os mais tradicionais e ritualísticos tambores.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ponto alto do disco é com certeza a devoção. Seja com inspiração em músicas de cortejo (&lt;i&gt;Luz da Nobreza&lt;/i&gt;), com ritmos e letras que nos transportam a um terreiro e falam da mística desse universo (&lt;i&gt;Mandingo&lt;/i&gt;), como também em homenagem ao mar (&lt;i&gt;Cantiga&lt;/i&gt;, poesia de Manuel Bandeira) ou até mesmo para louvar a própria música. Religiosidade é o nó desse álbum que com certeza já pode se considerar abençoado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De Noriel Vilela à Eddie passando por Massive Attack e com certeza Mundo Livre SA entre algo de Zeca Baleiro, muita coisa passa pela cabeça ouvindo &lt;i&gt;Ponto Enredo&lt;/i&gt;, mas é preciso juntar tudo isso pra tentar uma comparação. Renovar o samba tem sido a diversão de tantos hoje em dia, mas poucos conseguem como o PLAP, fazer algo que soe único, e não mais uma mistura heterogênea de outras coisas. No entanto, o que os diferencia de bandas como os fofos do Numismata é o samba do PLAP soar seguro e, mais do que natural, inerente à expressão deles, com autoridade de quem cresce em meio aos mestres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Impossível dizer que é um álbum de samba, ou de rock, ou de qualquer coisa, apenas daria para traçar estas e aquelas por influências e ainda correndo o risco de errar por interpretação. Cada música tem a sua cara quase individualmente e todas elas têm a cara da banda. Então, para nortear tal sonoridade, bastaria talvez colocar as bandas citadas acima todas no mesmo caldeirão e deixar as definições pros que não sabem sambar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Ágatha Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;agatha @bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;


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      <author>emmo</author>
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   <title>Comadre Fulozinha - Vou Voltar Andando</title>
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&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: normal; &quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_comadrefulozinha_vouvoltarandando.jpg&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Comadre Fulozinha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Vou Voltar Andando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;independente; 2009&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Banda comandada por Karina Buhr lança novo disco após seis anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;A Comadre Fulozinha é daquelas bandas de que você não escuta muito falar, mas sabe que está ali e de tempos em tempos vê que vai tocar em algum lugar. Numa dessas, mês passado, a banda tocou no CCSP, lançando o terceiro disco, &lt;i&gt;Vou Voltar Andando&lt;/i&gt;, seis anos depois de &lt;i&gt;Tocar na Banda&lt;/i&gt;, o álbum anterior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E que surpresa boa. Estes anos entre um disco e outro resultaram em uma obra feita com calma – e para ser apreciada com a mesma calma. As dez músicas não foram feitas para se ouvir no trânsito, desviando de motoboy. São para ouvir com apuro, pegando cada batida de pandeiro, os sopros, as alfaias e o delicioso sotaque de Karina Buhr. Em uma primeira audição, ele parece ser um pouco repetitivo, com músicas que poderiam acabar antes. Quando se tira o “ritmo de São Paulo”, fica fácil, aí é o disco que acaba rápido demais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pernambucana Karina, autora de todas as letras do disco, parece ter incorporado algo de São Paulo. Partindo do nome do disco, &lt;i&gt;Vou Voltar Andando&lt;/i&gt;, todas as músicas, com exceção de Mambu e Abacaxia, falam sobre passagens, caminhos, idas e vindas. O tema que permeia o disco fica explícito em &lt;i&gt;Falta de Sorte&lt;/i&gt; - “Cheguei em São Paulo tava doente/peguei um transporte/um dia eu cheguei//Eu tinha uma impressão tão forte/em São Paulo ficou corrida” - transformando este trabalho em algo mais “urbano” que as canções dos dois primeiros discos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A “nova” temática, porém, não deixa de lado os elementos que fizeram a identidade da banda: a percussão bem marcada, com participações econômicas e precisas de instrumentos de sopro e os coros femininos – que diminuíram bastante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No disco falta uma música com o carisma de Amaralina, hit do trabalho anterior. As duas que chegam mais próximas e que devem estar no repertório da banda nos próximos anos são &lt;i&gt;Presta Atenção&lt;/i&gt; e 2 &lt;i&gt;de Janeiro&lt;/i&gt;, sem dúvidas as melhores do disco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda assim, &lt;i&gt;Vou Voltar Andando&lt;/i&gt; é um disco muito mais bem acabado que os trabalhos anteriores e mostra o quanto a banda amadureceu desde uma certa apresentação no Abril pro Rock (98, se não me engano), na qual Karina conquistou fãs que, como eu, viram a gravação de &lt;i&gt;Perolito&lt;/i&gt; feita pela MTV. (A música continua sendo a minha favorita, pela simpática e improvável rima de &#039;Sergipe” com “pirulito”).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As letras que antes eram cantadas apenas em coro, agora estão concentradas na linda voz de Karina, o que as deixa com um tom mais pessoal, ideal para o tipo de som da banda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Legal como o disco é a iniciativa de disponibilizá-lo para download gratuito no &lt;a href=&quot;http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=4886&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;perfil da banda no Trama Virtual&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Nos shows, o disco pode ser comprado por R$ 5 em formato SMD. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Thiago Kaczuroski&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;kazu@bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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      <author>emmo</author>
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   <title>Tom Zé - Estudando a Bossa Nordeste Plaza</title>
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&lt;div&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_tomze_estudandoabossa.jpg&quot; /&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Tom Zé&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Estudando a Bossa Nordeste Plaza&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Biscoito Fino; 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Compositor recusa a morte e dá (mais) uma reviravolta em suas investigações musicais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Aqui expurgo um medo que tive desde 2006: temia que &lt;i&gt;Danç-Êh-Sá&lt;/i&gt; fosse o último álbum de Tom Zé. Eu estava errado, claro, mas o seguinte pensamento fez muito sentido à época: Tom Zé passava a barreira dos 70 anos e suas composições, vistas em perspetiva, ficavam cada vez mais abstratas. Sempre pareceu claro que as aliterações de &lt;i&gt;Dor e Dor&lt;/i&gt;, de 1972, evoluíram para as experimentações fonéticas de &lt;i&gt;Jimi Renda-se/Moeda Falsa&lt;/i&gt; em 2000 (&amp;quot;Guta me look mi look love me/ Tac sutaque destaque tac she&amp;quot;). E, naquele momento, parecia claro também que &lt;i&gt;Estudando o Pagode&lt;/i&gt; (2005) havia preparado o terreno - com seus barulhinhos etéreos, coros estranhos para o ouvido e letras com mais aliterações e jogos de palavras do que nunca - para o último álbum de sua carreira, &lt;i&gt;Danç-Êh-Sá&lt;/i&gt;, todo instrumental, orgânico e difícil de captar (o que Tom nega; para ele seu som é pop para as massas). Enfim, o fechamento ideal para uma carreira hoje celebrada, mas essencialmente exótica e conturbada.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu estava errado. Meu raciocínio parecia coerente, mas desconsiderava o pricipal tempero da carreira de Tom Zé: a incontinência de criatividade. Seu novo disco, &lt;i&gt;Estudando a Bossa Nordeste Plaza&lt;/i&gt;, nega qualquer linearidade em sua obra (ou afirma sua intrínseca não-linearidade, como queiram).  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro, nega a linearidade porque voltam os vocais. E, mais do que brincar com os sons, aqui eles trazem recados fortes sobre um estilo delicado para o passado e especialmente para Tom Zé: a bossa nova, a inovação musical que mais influenciou o compositor, segundo ele próprio. Em &lt;i&gt;João Nos Tribunais&lt;/i&gt;, Tom Zé chega a falar que João Gilberto seria vencedor certo se movesse processos judiciais contra artistas de samba-canção que tiveram músicas tornadas famosas pela sua gravação &amp;quot;desafinada, sem ritmo&amp;quot;, de &amp;quot;ventríloquo&amp;quot;.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segundo, afirma a intrínseca não-linearidade pelo aspecto individual de cada música. Em 13 das 14 canções há participações especiais; de cantoras da nova safra como Tita Lima ou Mariana Aydar ao talking head David Byrne (que também compõe parte da letra de &amp;quot;Outra Insesatez, Poe!&amp;quot;, com belíssimos insights de tradução da letra original). E cada uma delas é inspirada livremente em uma obra de outro artista; desde um texto de Contardo Caligaris a uma crônica de Carlos Heitor Cony, sem nunca especificar qual, funcionando todas mais como uma dedicatória.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse jogo de linearidade/não-linearidade ganha clareza quando percebemos que, em todas as canções, é facilmente identificável o DNA de Tom Zé. Seja pelas aliterações cheias de humor nos vocais, os barulhinhos, os coros de vozes femininas (muito presentes também em &lt;i&gt;Estudando o Pagode&lt;/i&gt;), pelos sons de quebra que parecem guitarras sampleadas (em uso desde o clássico &lt;i&gt;Estudando o Samba&lt;/i&gt;, de 1976). A única a se destacar é justamente &#039;João Nos tribunais&#039;, toda em ritmo de Bossa Nova e com voz somente de Tom Zé.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No mais, não espere aprender de Bossa com o disco. Não tem pretensão didática, não fala de história; vem para inquietar. É provocador, mas não se furta a festejar o ritmo inovador que formou uma geração de músicos no Brasil e influenciou o mundo.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez seja isso: uma grande celebração, uma homenagem, com suas devidas espinafradas, especialmente aos descrentes inciais da Bossa; uma sonoridade sublime, ao mesmo tempo pop e sofisticada (já viram por aí entrevistas de Tom falando de detalhes de cada acorde de suas composições?); de uma delicadeza ímpar (que melhor jeito de falar de um estilo tão delicado que dispensava a palheta para se tocar o violão?); e torta, como só podia ser. Torta como são a Bossa Nova e Tom Zé.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Luis Fernando Santos  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;luis@ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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      <author>emmo</author>
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   <title>Banana Mecânica - Discos Esquecidos 2008</title>
   <description>&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial; font-size: 13px; white-space: pre; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Discos Esquecidos 2008&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-family: Arial; font-size: 13px; white-space: pre; -webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;Com os discos brasileiros sendo lançados das mais diversas formas (de links que parecem oficiais surgindo no orkut ao tradicional lançamento por gravadora) e com os mais diversos graus de organização e divulgação por parte de bandas e produtores, nada mais difícil do que estar, em cima da pinta, fazendo a cobertura e o difícil e trabalhoso exercício da crítica de cada CD que nasce. Mas, se nosso esforço de reunir e resenhar, num só lugar, discos lançados pelo país nem sempre atinge seu objetivo, a vontade do &lt;b&gt;Banana Mecânica&lt;/b&gt; de levar esse mapemaneto o mais próximo possível da plenitude nos reserva este espaço para os álbuns que, por algum motivo, ficaram perdidos em nossas pilhas.
&lt;p&gt;
&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_careqa_espera.jpg&quot; /&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Carlos Careqa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;À Espera de Tom&lt;/span&gt; [Barbearia Espiritual Discos]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma coleção de covers (versões, &amp;quot;homenagens&amp;quot;?) de canções do cultuado compositor americano Tom Waits, que também é cantor e ator, como o autor desse disco, o catarinense Carlos Careqa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Careqa mimetiza os arranjos, atento aos barulhinhos e à voz rouca de Tom Waits durante todas as 14 faixas, escolhidas de diversas épocas diferentes. É no resultado final de identificação com as traduções oferecidas às densas letras de Waits que está o segredo deste curioso disco. Estudioso de Waits há anos, Careqa não teve medo de fugir da tradução literal, optando ora por uma aproximação de enredo (como em &lt;i&gt;Garota de Guarulhos&lt;/i&gt; inspiarada em &lt;i&gt;Jersey Girls&lt;/i&gt;), ora por acomodações fonéticas (&lt;i&gt;Chocolate Jesus&lt;/i&gt; vira &lt;i&gt;Guaraná Jesus&lt;/i&gt;). Ou seja, mais do que atentar a fundo ao caráter &amp;quot;versão&amp;quot; desta seriíssima brincadeira, é melhor entendê-lo pelo aspecto inusitado, quase de poesia de teatro infantil deste disco. Ele definitivamente não foi feito para ser visto do lado de &lt;i&gt;Jaguadarte&lt;/i&gt;, a encantadora tradução de Augusto de Campos para o poema &lt;i&gt;Jabberwacky&lt;/i&gt;, de Lewis Caroll em &lt;i&gt;Alice Através do Espelho&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No mais, dá pra dizer que ele se ogulha da cafonagem fina inerente à obra de Tom Waits (aquele folk lo-fi com clima de cabaré), abusando, nas traduções, de letras bizarro-dramáticas (&amp;quot;Mas se eu te vejo à noite/ Num trem de metrô/ Toda Noite/ Só dá ela no corredor&amp;quot;, em &lt;i&gt;Num Trem de Metrô&lt;/i&gt;, versão de &lt;i&gt;Downtown Train&lt;/i&gt;) e acentuando elementos melódicos (vide o coral &amp;quot;Xá-lá-lá-lá&amp;quot;, na mesma música).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Definitivamente, um disco para super inciados em Tom Waits se divertirem por diversas audições.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/carloscareqa&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;myspace.com/carloscareqa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Luis Fernando Santos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;luis @ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_curumin_japanpopshow.jpg&quot; /&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Curumin&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Japan Pop Show&lt;/span&gt; [YB]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Equilibrado sobre três músicas realmente acima dos padrões - &lt;i&gt;Compacto&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Esperança&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Magrela Fever&lt;/i&gt; - &lt;i&gt;Japan Pop Show&lt;/i&gt;, segundo disco do paulistano Curumin, segue a linha Bebeto - emula o mestre com competência, mas sem muito brilho. O mestre, no caso, lá como cá, é o Jorge Ben setentista. Mas como Curumin é cria dos anos 90/00, ao samba-rock rasgado por alguma psicodelia ele adiciona balanços de outras procedências, como o dub de Dançando no Escuro ou o acento rap/funk (carioca também) em diversas outras faixas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se o resultado não chega a empolgar como conjunto, também não vai à vala comum do groove genérico - mérito de uma inteligência acesa na escolha de referenciais que, um pouco mais azeitada, pode encontrar sua melhor forma criativa em um próximo disco (e em shows é simplesmente demolidora - não à toa, Curumin foi onipresente nos festivais independentes de 2008).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/curumin&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;myspace.com/curumin&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Diego Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;diegortv @ gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_forgottenboys_louva.jpg&quot; /&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Forgotten Boys&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Louva-a-deus&lt;/span&gt; [independente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembro do começo dos anos 2000 com um disco em especial. Era &lt;i&gt;Gimme More&lt;/i&gt;, lançado por um trio chamado Forgotten Boys, até então desconhecido. Algumas apresentações na noite paulistana e o recado estava dado: eram tão músicos quanto o disco parecia mostrar. Sabiam apresentar músicas com apelo pop com aquele pé no proto-punk de personalidade o bastante para cantar em inglês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algum tempo depois, veio o flerte com celebridades, alguns clipes na grade da MTV e apresentaram o ponto máximo de sua discografia, &lt;i&gt;Stand By The D.A.N.C.E.&lt;/i&gt;, um convite luxuoso para o casamento desses caras com o mainstream. Sonhar alto às vezes não faz mal, mas se o que você espera não acontece, cuidado com a queda. O sucesso de público nunca veio, e eles viraram uma espécie de vítimas do que ajudaram a moldar: o underground.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só assim para entender &lt;i&gt;Louva-a-deus&lt;/i&gt;, um disco que até na capa traz o peso de reverenciar as diversas influências do quarteto – podemos ver Bob Dylan, Rob Tyner, Mick Jagger e Bob Marley, entre outros. Problema nenhum em fazer referências a seus músicos prediletos, mas escolheram o disco errado para isso. A seleção fraca das canções parece estar mais preocupada em mostrar que a banda ainda está ativa do que o fato de apontar para alguma direção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto as letras adolescentes – “Mais do que pra ela Fiz tudo por mim/ Disse que era dela, aaah!/ Olhei pra janela, fui até o fim/ Disse que era dela, aaah!” – podem render comparações duvidosas, é difícil imaginá-los mantendo a mesma pose de bad-boys após todos esses anos. Se não conquistaram o mundo com o disco anterior, não é com a esquizofrenia desse que vão conseguir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/forgottenboys&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;myspace.com/forgottenboys&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Marcelo Santos Costa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;marceloadsc @ gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_orquestracontemporaneadeolinda.jpg&quot; /&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Orquestra Contemporânea de Olinda&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Orquestra Contemporânea de Olinda&lt;/span&gt; [Som Livre]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tristeza não tem fim, felicidade sim, já dizia Vinícius de Moraes. É nesse tom que os doze integrantes da Orquestra Contemporânea de Olinda realizaram suas composições melancólicas ao som de jazz com pitadas de regionalismo pernambucano. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Logo de cara percebemos que não estamos diante de uma orquestra convencional, já que os instrumentos de sopro se combinam ao ritmo de uma guitarra, baixo e bateria, numa influencia clara ao mangue beat – daí o “contemporânea” que o coletivo adota. Mas essa é apenas uma de suas facetas, já que a variação dos instrumentos – que vão de trombone, sax, trompete e tuba – auxiliam na construção sonora que mais se aproxima de um afro-beat e frevo.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esses ritmos fazem o equilíbrio certeiro ao longo do disco, transformando a tristeza de muitas letras, como em “Canto da Sereia”: “Eu vi a sereia cantar / A melodia era triste / E me fez chorar”, em alto astral, sem soar piegas. Outro fator que ajuda são os riffs elaborados de Juliano Holanda, que muitas vezes comandam o ritmo das músicas, como em “Brigitti” e “Não Interessa Não”. Em outras, as cordas de sua guitarra apenas acompanham as partituras dos companheiros.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parte então da costa marítima de Olinda, próxima à “Meca” musical de Recife, um dos mais belos registros de estréia de um grupo que mescla folclore com personalidade. Acrescente mais algumas linhas à história do mangue beat.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/orquestracontemporaneadeolinda&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;myspace.com/orquestracontemporaneadeolinda&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Marcelo Santos Costa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_rafaelcastro_amoramor.jpg&quot; border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; class=&quot;Apple-style-span&quot; /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Rafael Castro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amor, Amor, Amor [independente]&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dos cinco discos já lançados por Rafael Castro, &lt;i&gt;Amor, amor, amor&lt;/i&gt; é o mais representativo da sua expertise – a invenção com as convenções. Na mesma medida em que o rock brasileiro setentista de cantar junto (sua matéria prima) pode hoje soar datado, Rafael Castro aciona um talento criativo de grande alcance pra anular qualquer naftalina. É um tal de finas ironias e grossos sarcasmos na boca de personagens com verniz literário que serestas de moleque roqueiro como &lt;i&gt;Deus&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Se Me Pagarem&lt;/i&gt; e a faixa-título se aproximam da tradição trovadora e ácida de Jards Macalé e fazem dele um dos compositores mais interessantes – pela inteligência autoral – do novíssimo rock brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://www.myspace.com/sabesp&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;myspace.com/sabesp&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Diego Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;





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      <author>emmo</author>
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   <title>Instiga - Tenho uma Banda</title>
   <description>&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right:3px&quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_instiga_tenhoumabanda.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Instiga&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Tenho uma Banda&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;independente; 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Som assobradado e assombroso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Do &lt;i&gt;Máquina Milenar&lt;/i&gt; ao &lt;i&gt;Menino Canta Menina&lt;/i&gt;, primeiro e segundo título do Instiga, a diferença foi a propriedade. Se a estréia trazia uma banda ainda hóspede das tradições cancioneiras do rock/pop norte-americano e, em menor medida, brasileiro, na seqüência a banda apareceu já dona de uma bela residência, daquelas térreas e espaçosas, arejadas pelo inconfundível traço arquitetônico da autoria. Era o Instiga em &lt;a href=&quot;http://www.tonelada.org/conteudo/index.php?op=ViewArticle&amp;amp;articleId=657&amp;amp;blogId=1&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;casa própria&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Um ano após esse lançamento, quando seria de se esperar que a banda estivesse se aclimatando à nova situação, ela surpreende, ressurgindo assobradada em &lt;i&gt;Tenho Uma Banda&lt;/i&gt;. Novos cômodos, outros corredores, mais janelas e, aos que tiverem uma disposição aventureira no espírito, um sem-número de passagens secretas que levam, todas, à garagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E são essas passagens secretas que fazem de &lt;i&gt;Tenho Uma Banda&lt;/i&gt; muito mais do que uma mera reunião de 17 grandes canções. A garagem, como o espaço em excelência onde se injeta juventude aos instrumentos clássicos do gênero, é também coalhada de armadilhas da imaturidade e da reprise, dado que os temas juvenis não fogem muito da expressão desajeitada dos conflitos adolescentes de sempre. Preferindo o acesso a eles via novos caminhos, o Instiga driblou as armadilhas e capturou essa temática jovem ainda bruta, pré-processada em música – Sessões da Tarde e de desenho no sofá (&lt;i&gt;Cai Dentro&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Munrá&lt;/i&gt;), lições no conservatório (&lt;i&gt;Wagner&lt;/i&gt;), animais de estimação (&lt;i&gt;Aquela da Cachorrinha&lt;/i&gt;), escola (&lt;i&gt;Nerds&lt;/i&gt;) e o próprio tesão de tocar em um grupo (&lt;i&gt;Tenho Uma Banda&lt;/i&gt;). São como retratos do moleque que tem uma banda nos momentos em que ele não está nem na banda e nem pensando em música, por isso retratos com uma poética muito mais contundente e rica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reforça essa propriedade autoral e esse ímpeto desbravador temático o instrumental do álbum. Ao estilo limpo e livre de composição característico do Instiga, com guitarras diretas, baixos contrapondo sofisticações, baterias inteligentemente arriscadas e o vocal agora soberano de Christian Camilo, somaram-se teclas, sopros e programações, inexistentes nos discos anteriores e aqui muito bem e discretamente usados. A Freira é um exemplo emblemático dessa evolução, sua melodia urgente embalada no começo pela harmonia solene de um teclado e que, após uma explosão de guitarras e risadas tensas, é repicada por sopros num interlúdio. Limpa e livre também é a estratégia de lançamento e divulgação do disco – desiludidos com o circuito independente brasileiro (na verdade tão dependente de beija-mãos em 2008 quanto o circuito comercial o era em 1994) os integrantes da banda partiram pro trabalho próprio. Tomaram pra si a função de contatar e conservar uma base consistente de ouvintes – fãs, pra usar o termo que a própria banda estabeleceu –, lançaram o disco pra download gratuito em &lt;a href=&quot;http://www.instiga.com/&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;site próprio&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; sem estardalhaço, investiram no &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/user/christiancamilo&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;registro em vídeo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; da turnê e em um trabalho gráfico que culmina na magistral &lt;a href=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/instiga_tenhoumabanda.png&quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;capa do disco&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na manha e na surdina, esses detalhes extra-musicais, nada revolucionários, é verdade, mas bastante trabalhosos, engrandecem ainda mais o que Tenho Uma Banda apresenta (e representa) em termos artísticos. E o que &lt;i&gt;Tenho Uma Banda&lt;/i&gt; apresenta e representa, levando em consideração o cenário musical brasileiro contemporâneo? Um assombroso amarrado conceitual sobre a juventude, de potência estética e política impensáveis até o seu surgimento. E é também a confirmação do que já estava expresso desde o disco anterior a todos os que se dispusessem a prestar um pouquinho de atenção: Instiga é um dos acontecimentos musicais mais importantes no Brasil recente. Que eles tenham confirmado isso com uma casa renovada e ampliada, mas onde se pode ouvir “Munrá!”, é mais uma medida dessa importância. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Diego Franco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;diegortv @ gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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   <title>Iara Rennó - Macumaíma Ópera Tupi</title>
   <description>&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_iararenno_macunaima.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Iara Rennó&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Macumaíma Ópera Tupi&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Selo SESC; 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Do fundo do mato virgem aos emaranhados elétricos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Como as outras, Iara Rennó (DonaZica) também desenvolve agora um trabalho solo. E o que a menina estará fazendo? Macunaíma?! A primeira música que ouvi, na sede da minha curiosidade, me estarreceu por completo: &lt;i&gt;Quando Mingua a Luna&lt;/i&gt;, que abria o My Space dela antes mesmo do lançamento do álbum, e na qual reconheci de imediato a presença do grupo de percussão corporal Barbatuques, entre trompetes, respirações, sons de coisas quebrando e vozes aliterantes que se misturavam aos instrumentos cantando &amp;quot;Espinho que pinica de pequeno já trás ponta&amp;quot;, num ambiente de enorme expressionismo sombrio e intimidador.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí em diante só surpresas. Unidade e temática são elementos delicadíssimos para se desenvolver num álbum. Às vezes esses ingredientes podem acabar criando um disco com prazo de validade e contexto específico demais. Iara conseguiu driblar todas essas armadilhas realizando uma obra muito corajosa e que deixa de queixo caído dos ouvidos mais limpos aos críticos literários mais cabeçudos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, dispensa grandes apresentações. O livro de Mário de Andrade, que comemora os 80 anos, tido como a caricatura do personagem brasileiro por um todo, é das mais elaboradas e certeiras obras da nossa literatura. Musicá-la parecia um trabalho de certa forma fácil e óbvio, afinal Andrade já escreveu o texto com certa rítmica e cheio de melodias poéticas. Mas mais do que isso, para que o álbum soasse verossímil, Iara Rennó tinha que transparecer a atemporalidade literária. Personagem modernista, Macunaíma nasce negro, vira índio e depois branco, atravessa todo o país num pulo, desde as aldeias mais afastadas ao caos metropolitano. Mas isso em 1928. E agora como seria o nosso arquétipo?  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro deixe de lado todas as informações hitórico-literárias e esqueça um pouco tudo que seus professores lhe falaram sobre modernismo. Nenhuma dessas informações técnicas que se lê na Wikipédia é necessária para absorção do álbum; e este é seu ponto forte.   &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Iara teve tal idéia quando ainda cursava letras e, por mais fidelidade que ela tenha dedicado às palavras do autor, o que contou mesmo foi sua experiência na música, explorando o que expressa a identidade do brasileiro hoje, e por mais que carimbó e funk carioca não estejam presentes no disco, Iara conseguiu o feito.   &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mérito não é só dela e de Andrade. Teve como produtores Siba, Kassin, Moreno Veloso, Benjamin Taubkin, Beto Villares, Maurício Takara. Contou com a participação de Tom Zé, Arrigo Barnabé, Dante Ozzetti, Bocato, Guizadoman, Anelis Assumpção, Família Espíndola, Tiquinho, Andréia Dias, entre outros, pois essa só a metade da lista assustadora de nomes.   &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afrodelismos, dub, folclore brasileiro, trip hop, narrativas soltas e ruídos eletrônicos que ressoam nos ocos dos tocos. Ingredientes que nos ambientam em cenários múltiplos. Em &lt;i&gt;Conversa&lt;/i&gt;, tida com Tom Zé, o violão fisgando as cordas que dá lugar aos ruídos de compassos quebrados de um corte contemporâneo de hip hop intercalado ao djembê, três elementos fraseando de forma perturbadora em que é possível tanto se sentir correndo na mata fechada como no meio da marginal lotada. &lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Quando Mingua a Luna&lt;/span&gt; explora o outro lado dessa perturbação mas caminha num sombrio segredando malícias da noite.  &lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;Nesse álbum os contrastes brilham pois, do outro lado das sombras, com a flauta quase uníssona de &lt;/span&gt;Nina Macunaíma&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt; é possível colocar as crianças pra dormir e, quase em r&amp;amp;b, &lt;/span&gt;Naipe&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt; exala uma sensualidade adolescente quase proibida e de servidão lamuriosa numa soma de instrumentos em tamanha harmonia onde nenhum sobressai o outro.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Macunaó.peraí.matupino&lt;/i&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt; (outro título proposto pela compositora) é daqueles ainda a influenciar muitos Macunas pelos brasis do mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;Agatha Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;Agatha @ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/i&gt;</description>
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      <author>emmo</author>
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   <title>Pélico - O último dia de um homem sem juízo</title>
   <description>&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right:3px&quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_pelico_ultimo.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Pélico&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;O último dia de um homem sem juízo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Monga Records; 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Deixe essa vergonha de lado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Humor. Entre a temática muito pueril, ainda imatura, do Bazar Pamplona e o escatológico exagerado do Los Pirata, aparece Pélico. Em seu álbum de estréia, &lt;i&gt;O último dia de um homem sem juízo&lt;/i&gt;, surge para ensinar o bom deboche, do mais inteligente, inspirado em temas populares, com uma das capacidades mais raras entre artistas atuais – rir de si próprio. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cito BP e LP, que Pélico vem justamente acompanhado pelo baterista Loco Sosa e pelo baixista Jesus Sanchez, do Pirata, e trabalha em palcos com o Bazar. Parcerias que vêm a calhar: enquanto Pélico tem o toque criativo que lhes faltava, Loco, Jesus e o guitarrista Régis Damasceno (Cidadão Instigado, também integrante da banda d&lt;i&gt;O Último dia&lt;/i&gt;) têm uma experiência no manejo dos instrumentos que não deixa transparecer o fato de ser um álbum de estréia.  O rock é carregado, as guitarras são duas, acompanhadas de pedal e sintetizador, mas o som é limpo, bem acabado. O mais próximo do impecável que o rock pode chegar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amor. O deboche de Pélico denuncia a história de um coração partido. Divãs, uma última esperança, compras do mês, o criado-mudo e o batom esquecidos, pílulas, sorrisos diabólicos, impulsos e preces acompanham a ilusão que justifica a perda de juízo do músico. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Permeando o drama, notam-se influências de bolero e da música caipira americana. Drama este que culmina numa das faixas centrais do álbum, “Senhor do Meu Fim”, a canção mais Odair José d&lt;i&gt;O Último dia&lt;/i&gt;, quiçá dos últimos anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pélico resgata no rock o romântico brega dos anos 60/70, de Paulo Sérgio e Roberto Carlos. Segue o conselho do mestre Odair, deixa a vergonha de lado e canta sem pudores que amor tem que ser amor, com muito bom humor. Pélico é ridículo, recomendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Stephanie Fernandes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Celophanie @ gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
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      <author>emmo</author>
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   <title>Seychelles - Nananenem</title>
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&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_seychelles_nananenem.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Seychelles&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Nananenem&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;[Mondo77; 2008]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;OK Computer à brasileira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;

&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Desde o fim das atividades do Laboratório SP, São Paulo não tinha uma banda que traduzisse tão bem sua vida urbana em música, até agora nesse segundo disco do Seychelles. O primeiro disco do grupo, &lt;i&gt;Ninfa do Asfalto&lt;/i&gt;, arranhava o tópico, mas agora nesse segundo, &lt;i&gt;Nananenem&lt;/i&gt;, o turbilhão da metrópole é o tema principal de letras e canções, misturando estilos e influências de toda sorte. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No primeiro álbum, o Seychelles era uma banda de rock que arriscava uma ou outra pitada de estilos musicais diferentes. Agora, eles misturam com maestria seu rock psicodélico com punk, música eletrônica, jazz, MPB, às vezes numa mesma composição. Mesmo que por vezes as músicas pareçam quebradas, de “difícil digestão”, essa mistura sonora serve de metáfora e trilha para a famigerada vida na metrópole cosmopolita. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As variadas influências musicais também se devem ao fato dos integrantes do grupo participarem de outros projetos. Com músicos experientes que vagam entre o pop do Ludov até o experimental do Mamma Cadela, é de se imaginar uma vasta gama de opções, que acaba gerando a musicalidade diversificada, e um instrumental afiadíssimo.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As letras do disco relatam a rotina de um morador da cidade grande, enclausurado pelo trabalho (&lt;i&gt;Funcionário Padrão&lt;/i&gt;); decepcionado com a deturpação de suas opções de lazer e cultura, como a música (&lt;i&gt;Punk Modinha&lt;/i&gt;), o cinema (&lt;i&gt;Hollywood&lt;/i&gt;) e o esporte (&lt;i&gt;Venus Sharapova&lt;/i&gt;); conformado e amortecido com a violência e miséria alheia (&lt;i&gt;Asa do Dia&lt;/i&gt;); e que tem problemas familiares (&lt;i&gt;Meu Irmão É Louco&lt;/i&gt;) e pessoais (&lt;i&gt;Ansiedade e Obsessão&lt;/i&gt;). Olhe para o espelho ou para o lado, serve para qualquer um de nós. Versos como &amp;quot;Essa rotina viciosa cobra um preço / Leva sua alma pro inferno&amp;quot; e &amp;quot;Toda frustração vira artefato de guerra / No sangue dessa gente o sofrimento é em dobro&amp;quot; escancaram a situação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A canção chave do disco é a belíssima &lt;i&gt;No Caminho de Shangri-la&lt;/i&gt;, que através de sua melodia fala de uma pessoa que sempre tentou “reunir conhecimento”, mas se vê diante de uma “crise de valores”, que “só o amor pra libertar”, concluindo de forma bonita, sem ser piegas. &lt;i&gt;No Caminho de Shangri-la&lt;/i&gt; concentra o tema do disco, no verso &amp;quot;Eu vivo em São Paulo e todo dia assassino a razão&amp;quot;. Mas é claro que ao cantar sobre São Paulo, o Seychelles canta sobre qualquer cidade grande, e sobre a tal da vida moderna, como um &lt;i&gt;OK Computer&lt;/i&gt; à brasileira. Guardadas as devidas proporções, &lt;i&gt;Nananenem&lt;/i&gt; serve como retrato magistral de nosso tempo conturbado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Wilson Farina&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;wilson @ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;

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      <author>emmo</author>
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   <title>Marcelo Camelo - Sou</title>
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&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right: 3px; &quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_marcelocamelo_sou.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Marcelo Camelo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Sou&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;(Sony BMG/Zé Pereira; 2008)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;O artista só, moldado pela adoração alheia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;

&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Disse o Nelson Rodrigues: &amp;quot;A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.&amp;quot; A nobreza da vaia soa melodrama rodrigueano, mas a idéia valiosa é a da corrupção - no sentido de modificação das características originais de algo - pela adulação. E, se vamos adiante com a formulação, nenhum objeto de estudo melhor que Marcelo Camelo, cujo Los Hermanos definiu a marca a ser batida de idolatria indie no País, ao lado de Rodrigo Amarante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A título de tese: afagados e soterrados por quantidades descomunais de amor, fanatismo e expectativa, os dois compositores da principal banda do cenário alternativo brasileiro encerram-se fundo numa mistura da própria personalidade musical com a máscara pré-moldada pelos fãs e sua tendência a traçar perfis psicológicos a partir de letras, melodias, trejeitos de palco e respostas atravessadas a repórteres de cadernos de cultura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesta narrativa coletiva, se Amarante foi o circense solar e a face extrovertida do grupo, Camelo, por contraste dramático natural, como em qualquer filme de duplas yin-yangescas de policiais, seria o sambista noturno e introvertido. Bem ou mal, é de onde partimos quando ouvimos &amp;quot;Sou&amp;quot; (ou &amp;quot;Nós&amp;quot; se viramos o encarte de cabeça para baixo; divirta-se), primeiro disco solo de Camelo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um álbum idiossincrático, para dizer o mínimo - o que é, pelas minhas contas, elogio de grande porte. Porém, é um disco fluido e disperso como uma brisa de beira-mar num dia frio, para usar um cenário caro ao músico. Trata-se do desagüe aparentemente lógico das canções de Camelo no Los Hermanos: do primeiro ao quarto CD, as composições deixam de ser &amp;quot;sobre&amp;quot; alguma coisa mais ou menos definível e tornam-se odes aeradas à morena, ao barquinho, ao andar com fé; mais lacunas que preenchimento. Em seus piores momentos, vagas e afetadas. Nos melhores, a um passo de pequenas epifanias melódicas e melancólicas. Afinal, é o artista &amp;quot;só&amp;quot; consigo mesmo e com temores de solidão, separação e esquecimento. Mais Marcelo Camelo, dirão os fanáticos-psicólogos, impossível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A solidão, aliás, é o grande eixo emocional do álbum. Segue desde o moderadamente patético em &amp;quot;Doce Solidão&amp;quot; (&amp;quot;Posso estar só/Mas sou de todo mundo&amp;quot;, uma variação Tribalista) ao sintético sublime e metafísico de &amp;quot;Passeando&amp;quot;, bela canção de quatro versos: &amp;quot;E lá vai Deus/Sem sequer saber de nós/Saibamos pois/Estamos sós&amp;quot;. Mais do que solidão, Camelo parece cantar a desolação - o refúgio litorâneo e as considerações sobre grãos de areia, a nostalgia dos bailinhos de carnaval, as incertezas quanto ao futuro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grave e deliberado, contemplativo e contido, um Marcelo Camelo inteiramente só ao violão seria, a partir do DNA geral de &amp;quot;Sou&amp;quot;, infalivelmente narcoléptico. Acompanhado do excelente grupo Hurtmold em quatro faixas (&amp;quot;Téo e a gaivota&amp;quot;, &amp;quot;Tudo Passa&amp;quot;, &amp;quot;Mais Tarde&amp;quot; e &amp;quot;Menina Bordada&amp;quot;), o álbum e o ouvinte respiramos. Essas faixas são, de longe, os momentos mais interessantes do disco. É onde a execução e os arranjos tomam direções inesperadas, o gosto de Camelo pelos sambas ancestrais e pela placidez de Caymmi ganham estrutura óssea moderna. As outras parcerias do álbum - Mallu Magalhães em &amp;quot;Janta&amp;quot;, Dominguinhos em &amp;quot;Liberdade&amp;quot;, a pianista Clara Sverner nas instrumentais &amp;quot;Saudade&amp;quot; e &amp;quot;Passeando&amp;quot; - mostram-se igualmente acertadas e, em seu conjunto, sugerem a seguinte constatação: Camelo funciona melhor em diálogo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso nos traz de volta à tese. Quando consideramos a linha evolutiva de Marcelo Camelo como compositor no Los Hermanos e extrapolamos sua trajetória para a carreira solo, a longa e sinuosa curva o coloca numa área de expectativas próxima do real resultado de &amp;quot;Sou&amp;quot;: introspectivo, nostálgico e agridoce. Ou, para fins sarcásticos, algo próximo do negativo do disco do Little Joy. A responsabilidade, em parte, é de vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Daniel Lima&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;daniel @ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;

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   <title>Relespública - Efeito Moral</title>
   <description>&lt;img border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; style=&quot;padding-right:3px&quot; src=&quot;http://www.bananamecanica.com.br/images/d_relespublica_efeitomora.jpg&quot; /&gt;
&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Relespública&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Efeito Moral&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Mondo Bacana; 2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;Com quase 20 anos de estrada, o trio de Curitiba mostra que fazer as coisas com calma vale a pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br/&gt;
&lt;div&gt;Algumas bandas estouram de uma hora para outra, e com um ou dois anos de vida já foram comentadas – e esquecidas – por &#039;fãs&#039; e pela mídia.Outras – por iniciativa própria ou não – funcionam mais devagar, construindo uma carreira sólida, sem lançar discos na afobação. Este é o caso da Relespública, que chega agora ao quarto disco de estúdio, &lt;i&gt;Efeito Moral&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Produzido pela própria banda, &lt;i&gt;Efeito Moral&lt;/i&gt; é um belo disco. Fabio Elias, Ricardo Bastos e Moon tratam de temas &amp;quot;cabeça&amp;quot; como os escândalos políticos, homens-bombas e as injustiças do mundo. O que tinha grandes chances de se tornar piegas, ficou bem resolvido – com exceção de alguns nomes de faixas como &lt;i&gt;Não Seja Otário, Não&lt;/i&gt;, que parece nome de música do Charlie Brown Jr., e &lt;i&gt;Tema Pela Terra&lt;/i&gt;, coisa de Ivan Lins.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O som da banda segue a mesma linha: power trio competente, com a bateria precisa de Moon servindo como cama para as guitarras espertas de Elias. Nada super criativo, mas que agrada em cheio quem gosta principalmente de Beatles e The Who, referências claras da banda, como &lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.tonelada.org/conteudo/index.php?op=ViewArticle&amp;amp;articleId=1266&amp;amp;blogId=2&quot;&gt;Fábio contou ao Banana Mecânica&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A banda apostou em novos meios de divulgar o disco: além da cópia física, &lt;i&gt;Efeito Moral&lt;/i&gt; pode ser ouvido no &lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-weight: bold; &quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://www.relespublica.com/&quot;&gt;site da banda&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; e também chegou às lojas em um estiloso pen drive, que além do disco, traz as músicas do álbum &lt;i&gt;MTV Apresenta&lt;/i&gt;, que faz um apanhado da carreira do Relespública.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, ainda que não tão conhecida do grande público (talvez isso tenha mudado um pouquinho após o &lt;i&gt;MTV Apresenta&lt;/i&gt;), a Relespública não precisa apoiar tanto a divulgação do álbum em um convidado como está fazendo. Aqui em São Paulo, pelo menos, os discos que chegaram para a imprensa continham um grande selo vermelho avisando que Samuel Rosa, vocalista do Skank cantava em &lt;i&gt;Tudo Que Eu Preciso&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A voz de Fábio Elias, por sinal, lembra a de Samuel em vários momentos, mas uma banda tão competente, com um disco tão sólido nas mãos, não precisa disso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As referências da banda estão ali, mas tem mais, como o punk setentista &lt;i&gt;Homem-Bomba&lt;/i&gt; e o folk &lt;i&gt;Tema Pela Terra&lt;/i&gt;. Enfim, &lt;i&gt;Efeito Moral&lt;/i&gt; é um dos bons lançamentos deste fim de ano. Destaque para a espetacular &lt;i&gt;Catavento&lt;/i&gt; (a idéia da garota girando o cata-vento colorido com sua potente voz enquanto grita &#039;eu te amo&#039; em seu ouvido é, no mínimo, divertida). Canção cheia, daquelas de antigamente com harmonia que provavelmente vai te fazer lembrar de algo, ou de alguém - e assobiar a melodia do refrão no trânsito - uma das músicas mais bacanas já escritas pela banda ao lado do hit &lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: italic; &quot;&gt;Nunca Mais.&lt;/span&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;Thiago Kazu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-style: normal; &quot;&gt;&lt;span class=&quot;Apple-style-span&quot; style=&quot;font-size: x-small; &quot;&gt;kazu @ bananamecanica.com.br&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/i&gt;</description>
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      <author>emmo</author>
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